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Transporte, crianças e homesickness

Espero que esteja tudo bem com vocês, porque ontem foi um dia meio difícil para mim por causa da saudade de casa e por estar uma bagunça hormonal esses dias. Eu só pensava coisas como “eu quero ir pra minha casa, eu quero minha cama, eu quero minha internet e eu quero minha cachorra e vai todo mundo se ferrar”. Sinto saudades da agitação de São Paulo e das facilidades que eu tinha lá.

Obviamente, aqui estou aprendendo a virar adulta e deixa eu dizer que está sendo uma tarefa pelo menos tão complicada quanto achei que fosse. Como eu mal tenho habilidades sociais, fazer qualquer coisa sozinha me deixa incrivelmente nervosa, e ter que falar com pessoas estranhas é uma coisa difícil pra mim. Por isso senti falta de estar em casa, deixando minha mãe cuidar de tudo e falando só com quem eu queria, e na minha própria língua.

Mas felizmente hoje esse sentimento já passou, e recobrei a felicidade de estar aqui.

Queria comentar sobre o trem que eu pego todo dia, porque isso é uma coisa que me chamou a atenção. Não se vê nenhum lixo jogado no chão dos trens, mas ele é muito sujo. Quero dizer, o chão é imundo, cheio de poeira. Algumas pessoas comem no trem e pedaços de comida podem ficar no chão. Todos os assentos têm mesinhas na parte de trás, e todas elas estão sujas com manchas de café. Isso é uma coisa que eu particularmente não gosto e acho horrível. Imagina a quantidade de gente que entra molhada no trem e deixa lama e outras coisas no chão. Eca.

Falando em “outras coisas”, uma coisa que eu odeio aqui é como ninguém recolhe o cocô de cachorro da rua. Ninguém. É normal andar e ver cocôs pisados, intactos, frescos ou velhos no meio da calçada, e honestamente ninguém parece ligar. Isso me tira do sério. E olha que eu não estou falando de cocozinho de chihuahua.

“ah, então seu cachorro tá fazendo cocô e você não tá recolhendo? Hmmmm, muito interessante (seu filho da puta)”

Outro ponto que chama muito a minha atenção aqui é que literalmente 2 a cada 5 pessoas na rua estão acompanhados de crianças ou bebês. Eu me pergunto como diabos a taxa de natalidade dos países europeus é baixa se tanta gente tem filhos. Juro que é impossível sair na rua sem quase trombar com um carrinho de bebê (que frequentemente não tem nenhum bebê dentro e é utilizado pelos velhinhos como uma forma de transportar sacolas). Muita gente tem mais de um filho. Isso me irrita um pouco também. Não sou a maior fã de crianças e elas ficam entrando na sua frente quando você está andando na rua.

PARA DE ENTRAR NA MINHA FRENTE SEU PIOLHENTO BABÃO VO CHUTAR SUA CANELA

Bom, só espero que as coisas comecem a dar certo nos próximos dias. Se as forças intergalácticas quiserem, em breve fecho uma vaga em algum lugar e paro de me estressar com isso. Por favor rezem para Saturno atender aos meus pedidos. Estou começando a ficar um pouquinho desesperada.

A gente se vê por aí!

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